TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) é um transtorno de base neurobiológica, sua característica fundamental é a apresentação de um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade.

Desde a metade do século XIX foram registradas na literatura referências a hiperatividade e desatenção, mas o nome deste transtorno sofreu diversas transformações, sendo TDAH a forma como é nomeado no DSM V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição).

Para a maior especificação dos sintomas predominantes neste transtorno, existe a separação em três tipos: Tipo Predominantemente Desatento, Tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo e Tipo Combinado. Para o diagnóstico com o subtipo apropriado são considerados os sintomas dominantes nos últimos seis meses.

Os sintomas de desatenção e hiperatividade-impulsividade se manifestam em diferentes situações e devem ser bem avaliados para que o transtorno não seja super diagnosticado nem negligenciado.
  • A desatenção pode ser observada em situações escolares, profissionais ou sociais. Pessoas com este transtorno geralmente não prestam muita atenção a detalhes ou podem cometer erros por omissão de cuidado em suas tarefas; apresentam dificuldades para manter a atenção ou para persistir até a finalização de atividades; causam impressão de não ouvir quando falam com elas ou parecem estar com a mente em outro lugar; mudam de uma tarefa inacabada para outra; têm dificuldades para organizar tarefas ou atividades; se distraem muito por estímulos irrelevantes; esquecem coisas nas atividades diárias (exemplo: livros, brinquedos, outros materiais); vivenciam as tarefas que exigem um esforço mental constante como desagradáveis/aversivas evitando-as com frequência; nas situações sociais mudam muito de assunto, não permanecem atentos ao que os outros dizem, se distraem nas conversas; e geralmente não se atentam às regras, instruções ou detalhes de jogos ou atividades.
  • A hiperatividade é observada pela inquietação, há agitação das mãos e pés ou ficam se remexendo na cadeira; não permanecem sentados quando deveriam; movimentam-se muito quando não é apropriado; apresentam dificuldade em brincar ou ficar em silêncio. Em crianças pequenas algumas destas características são comuns, por isso, o diagnóstico deve ser bastante cuidadoso. Na adolescência e idade adulta, sintomas de hiperatividade estão mais relacionados a sentimentos de inquietação, dificuldades em atividades tranquilas e sedentárias ou a um excesso de atividades (em relação ao trabalho podem ser considerados workaholics).
  • A impulsividade aparece como impaciência, respondem precipitadamente; têm dificuldade para esperar por sua vez; frequentemente interrompem ou se intrometem em assuntos alheios; podem ter dificuldades para se expressarem adequadamente; a impulsividade também pode levar ao envolvimento em atividades perigosas sem a ponderação de prováveis consequências. Em adultos pode estar relacionada a términos prematuros de relacionamentos.
O TDAH tem prevalência de 3 a 7% entre as crianças com idade escolar, em adolescentes e adultos os dados ainda são limitados. Há estimativas de que cerca de 50% dos adultos que receberam este diagnóstico na infância continuam apresentando sintomas significativos. É observado com maior freqüência no sexo masculino e dependendo do Tipo e contexto a razão masculino-feminino chega a ser de 2:1 a 9:1.

A influência de fatores genéticos é bastante forte, mas fatores do meio (escola, família e pares) também influenciam na determinação do grau de comprometimento e co-morbidade.

Comorbidades psiquiátricas são comuns tanto em crianças e adolescentes quanto em adultos com TDAH. Há uma prevalência de 30 a 50% de comorbidade entre TDAH e os Transtornos Disruptivos do comportamento (Transtorno de Conduta e Transtorno Opositor Desafiante), 15 a 20% de comorbidade entre TDAH e Depressão, cerca de 25% de comorbidade entre TDAH e Transtornos de Ansiedade, e 10 a 25% de comorbidade entre TDAH e Transtornos da Aprendizagem. As comorbidades alteram de modo importante o prognóstico e a forma como o transtorno se apresenta clinicamente.

Em determinadas situações os sinais do transtorno são pequenos ou até ausentes como por exemplo, em ambientes novos para a pessoa ou se há um controle rígido sobre ela, entretanto, dependendo da gravidade, o transtorno pode ser incapacitante e prejudicial ao ajustamento social, familiar e escolar.

Um processo de diagnóstico cuidadoso do TDAH deve considerar a avaliação clínica do médico em conjunto com informações advindas de diferentes fontes (o próprio paciente, pais, professores) sobre o comportamento da pessoa em diferentes situações e contextos.

A eficácia do tratamento do TDAH é comprovada, além de intervenções psicossociais com orientações à família, à escola e ao paciente, a intervenção farmacológica adequada é fundamental na maioria dos casos.
Referências Bibliográficas:
PSIQUIATRIA, Associação Americana de. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais - DSM-IV-TR. Trad. Cláudia Dornelles, 4° ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2002 (p.71-72;112-119).

Mattos et al (Paulo Mattos; André Palmini; Carlos Alberto Salgado; Daniel Segenreich; Eugênio Grevet; Irismar Reis de Oliveira; Luiz Augusto Rohde; Marcos Romano; Mário Louzã; Paulo Belmonte de Abreu; Pedro Prado Lima). Painel brasileiro de especialistas sobre diagnóstico do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos. Revista de Psiquiatria RS jan/abr 2006;28(1):50-60.

Rohde LA e Halpern R (Luis A. Rohde, Ricardo Halpern). Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: atualização. Jornal de Pediatria - Vol. 80, Nº2(supl), 2004.

Louzã MR e Mattos P (Mario R. Louzã, Paulo Mattos). Questões atuais no tratamento farmacológico do TDAH em adultos com metilfenidato. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 56, supl 1; 53-56, 2007.
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